segunda-feira, 20 de maio de 2013

Lendas e Mistérios do Maranhão: o Caso do Itaqui


Lendas e Mistérios do Maranhão: o Caso do Itaqui
por José Wilson
O Maranhense se orgulha de viver em um estado considerado um caldeirão efervescente de cultura. Um caldeirão que foi temperado de lendas, mistérios e 'causos' estranhos. São carruagens encantadas que arrastam correntes, serpentes que crescem sem parar, areia sendo transformada em pólvora e até um rei transformado em touro negro com uma estrela branca na testa.
Muitos pensariam, baseando-se nisso, que esse povo crédulo seria fácil de ser enganado. Muitos pensariam.
Mas as lendas que assombram o dia-a-dia das empresas que tentam apostar no estado, são outras e são mais horripilantes, mais assustadoras.
Talvez a principal delas, seja a lenda do 'Porto que nunca será'.
O 'Porto-que-nunca-será' é um porto que apesar de possuir uma das maiores profundidades do mundo não consegue movimentar os produtos que seu estado produz, quanto mais ser uma referência em sua região de influência - eu diria má influência. Ele é talvez o porto nacional com a melhor saída para a Europa (mercado consolidado), para a China (via Canal do Panamá), para a África (objeto de desejo para quem pensa em expansão de mercado) e para os Estados Unidos (via Miami), e mesmo assim, apesar de ser o mais próximo acaba vivendo como o mais distante tanto para enviar como para receber.
O 'Porto-que-nunca-será', nunca será - os mais cínicos dirão - por que ninguém quer que ele seja. Mas isso não é de todo verdade. O 'Porto-que nunca-será' só é assim por que ele é assombrado. Uma pausa dramática é necessária agora, para que possamos digerir o termo 'assombrado'.
Os fantasmas que assolam essa estrutura são muitos, e são perniciosos. O fantasma da falta de vontade política, campeão de audiência no Brasil (cujo exorcismo propiciou todo o crescimento da área portuária de Suape). O fantasma do clientelismo, que coloca despreparados em posições estratégicas (não precisaremos detalhar o cabide de empregos que se tornou a EMAP). O fantasma da falta de parcerias público-privadas, que poderiam acelerar obras de infra-estrutura através de um gerenciamento mais profissional dos recursos obtidos de canais mais rápidos (PAC, BNDES).
Em suma, o 'Porto-que-nunca será' poderia ser Suape, basta chamar os caça-fantasmas.

artigo produzido para a disciplina Fundamentos de Logística (MBA em Engenharia de Produção - ENE)

2 comentários:

Silvia Whatever disse...

Meu, que triste.

José Wilson Carvalho de Mesquita disse...

Pois é, e a gente aqui no Maranhão com um porto que tem a maior profundidade tendo que exportar via Ceará por que a roubalheira é grande.