quinta-feira, 7 de abril de 2011

Eu guardo minhas memórias


Eu guardo minhas memórias, não como quem guarda jóias em um cofre. Não são relíquias de um passado glorioso. Não são tesouros para de vez em quando serem admirados.

Eu guardo minhas memórias como quem guardaria degraus de um a escada. Eu guardo, no espaço escrito "como cheguei aqui". Como quem guarda um mapa do tesouro, e o tesouro sou eu, hoje.

Não é para lamentar, nem para admirar.

Apenas, as coisas que nos acontecem nos definem e traçam nosso caminho. Fazem parte de nós como fios de cabelo que caem, mesmo no chão, continuam sendo nossos.

Melhor não se arrepender dessas coisas, não há maneira de se apartar delas.

Você é o que você foi - quer goste ou não...

O Atirador de Realengo


“Primeiramente deverão saber que os impuros não poderão me tocar sem luvas, somente os castos ou os que perderam suas castidades após o casamento e não se envolveram em adultério poderão me tocar sem usar luvas, ou seja, nenhum fornicador ou adúltero poderá ter um contato direto comigo, nem nada que seja impuro poderá tocar em meu sangue, nenhum impuro pode ter contato direto com um virgem sem sua permissão, os que cuidaram de meu sepultamento deverão retirar toda a minha vestimenta, me banhar, me secar e me envolver totalmente despido em um lençol branco que está neste prédio, em uma bolsa que deixei na primeira sala do primeiro andar, após me envolverem neste lençol poderão me colocar em meu caixão. Se possível, quero ser sepultado ao lado da sepultura onde minha mãe dorme. Minha mãe se chama Dicéa Menezes de Oliveira e está sepultada no cemitério Murundu. Preciso de visita de um fiel seguidor de Dues em minha sepultura pelo menos uma vez, preciso que ele ore diante de minha sepultura pedindo o perdão de Deus pelo o que eu fiz rogando para que na sua vinda Jesus me desperte do sono da morte para a vida.”

Como analisar isso? 12 mortos, vários feridos e uma grande interrogação...

Será que o fundamentalismo religioso (vide crescimento das Pentecostais) vai dar as caras por aqui também?

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Almoçando em Peritoró

Eu vou poder escrever um livro sobre almoçar em Peritoró. Já quase sou um expert.


O ônibus abre as portas e você não sabe o que o invade mais rápido: as moscas ou as 15 mulheres que estão na porta gritando:

- Vai almoçar?

Lógico que não vou. Num lugar onde as moscas conseguem transformar uma coxinha em quibe facilmente.

Lógico que vou. Saí de São Luís às 7 e meia e são 12 e meia – ninguém é de ferro e eu não sou fresco! – meu estômago não reclama ainda, mas sempre é bom prevenir.

Procuro alternativas, não vou comer nada que não tenha passado por pelo menos 121°C de temperatura – se bem que a temperatura ambiente é quase isso... – óbvio que não irei a nenhum SS (self-service escrito ‘serve-service’). Duas lanchonetes disputam os clientes menos dispostos a encarar o SS, uma decisão difícil de tomar, mas vou ficar com a que não vende perfume falsificado e bonecas de porcelana junto com a comida.

- Quero uma coxinha.

- De quê?

Eu não estava preparado para essa pergunta. Procuro na minha memória cache, vou até o HD e nada. Para mim, só existe 1 tipo de recheio para coxinha (por que é óbvio que aqui não há opções frango e franco com catupiry). Devolvo a pergunta:

- Tem de quê?

- De frango e de carne.

Ora, mas era óbvio. Claro que faz sentido ter uma coxinha com o mesmo recheio dos pasteis que estão espalhados pelo display. Que idiota que sou. Mas apesar da curiosidade, optei pela tradição:

- De frango.

- E pra beber?

Essa era fácil. Vocês acham que eu iria arriscar tomar algum suco de procedência indefinida (de onde viria aquela água?).

- Uma Pepsi (mentira, me desculpe Quercegen).

- Uma coca em lata.

Comi minha coxinha, pedi um pastel (de carne!) – que estava muito melhor que o da praça de alimentação do Rio Anil Shopping – e aproveitei a rapidez que só o fast food das rodoviárias nos permite. Fui dar uma olhada nos alrededores.

Sujeira, muita sujeira. Ambulantes vendendo os mais variados tipos de produtos: castanha de caju, água mineral (de procedência duvidosa), milho cozido (nessa água famosa), milho assado, DVDs e CDs piratas, suquinho (sacolé para quem não conhece – novamente a água) e as famosas pêtas (quem come aquilo?). Os transeuntes eram um povo meio apressado e indeciso, com o rosto angustiado típico de quem está em uma rodoviária do interior, o horário certamente contribuía para isso.

Vans, ônibus e carros pequenos disputavam os passageiros através de intermediários. Mais de uma vez fui retirado do meu disfarce (fones de ouvido e 1,85m de altura): - Está indo para onde?

- Barra do Corda.

Quando ouviam minha resposta, eles ficavam com pena e saiam de perto.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Que mulher!


Eu gostaria de dar um abraço naquela senhora, naquela corajosa senhora que ligou para o 190. Aquela do cemitério, que tinha ido ao túmulo do seu pai. Aquela que ligou para denunciar o assassinato de um criminoso, de um ladrão de carros que resistiu à prisão. Eu gostaria de dar um abraço apertado e dizer a ela que o seu pai se orgulharia de ter criado uma filha como ela. Uma filha que mesmo ao ver os assassinos vindo em sua direção, tremeu, temeu, mas fincou os pés no chão e desafiou o caráter de um soldado fardado que acabara de matar um homem dentro do cemitério. Ah! Eu gostaria de dar um abraço nela e dizer:

- Puta que pariu, tu é foda pra caralho!!!

Cara, aquela gravação encheu meus olhos de lágrimas. É como um tapa na cara dizendo que ainda existem pessoas corajosas e corretas. Não foi o Capitão Nascimento quem ligou pro 190, foi aquela mulher – que pode ser qualquer uma das mães corajosas espalhadas por aí – aquela mulher que foi ao cemitério visitar o túmulo do seu orgulhoso pai.

Para quem não viu, segue o link:



De partida


De partida, estou de partida para Barra do Corda. Passagem R$ 50,00. Com direito a atraso e aperto. Eu poderia estar indo de táxi, R$ 500,00. Com direito a, obrigatoriamente, ouvir aquela conversa chata que todo taxista guarda para essas horas. Tem também uma Blazer lá na fábrica, mas acho que meu chefe tem algum ciúme dela.

Enfim, estou de partida para lá. Existe uma certa obrigatoriedade dos coordenadores e gerentes de irem pelo menos 1 vez por mês àquela unidade.

Não é que eu não goste, é que eu odeio.

Meu problema não é simplesmente estar lá, mas sim as idas e vindas. Àquela oscilação chata, e sempre que se está em uma unidade, os problemas da outra te perseguem – como se fosse para te mostrar a tua impotência.

Gostaria de ter uma decisão sobre uma unificação da QAN I. Tomara que se decida isso em breve.